A reforma da arquitectura da Ajuda ao
Desenvolvimento, enquanto factor de melhoria dos seus impactos, tornou-se uma
discussão central no início do século XXI, num processo iniciado em Roma em
2003 e aprofundado em Paris, em 2005, no 2.º Fórum de Alto Nível sobre a
Eficácia da Ajuda.
O encontro de Paris reconheceu pela primeira vez
as Organizações da Sociedade Civil (OSC) como potenciais participantes na
identificação das prioridades e na monitorização dos programas de
Desenvolvimento. Porém, falhou ao não reconhecer em pleno as OSC como actores
de Desenvolvimento, não tendo em conta as suas prioridades, preocupações ou
programas. Ou seja, a perspectiva de Desenvolvimento das OSC ficou, em grande
parte, à margem do processo liderado pela OCDE – Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Económico.
Neste contexto, e paralelamente à agenda delineada
pelos Doadores – governos e organizações internacionais –, a Sociedade Civil de
ambos os hemisférios começou a reunir esforços e a organizar o debate sobre a
sua visão para o envolvimento no processo de Eficácia da Ajuda. Em 2007, foi
criada a plataforma Better Aid (de que a ACEP faz parte), que começou a
desenvolver programas de
advocacy em
torno dos temas da qualidade da Ajuda ao Desenvolvimento.
Em simultâneo, e com o apoio de diversos países
doadores, foi criado o Grupo Consultivo sobre Sociedade Civil e Eficácia da
Ajuda (
Advisory Group on Civil Society
and Aid Effectiveness),
um grupo
multi-stakeholder que
estabelece uma ligação formal entre OSC e os países membros OCDE, definindo-se
como “facilitador” da participação da Sociedade Civil em Fóruns de Alto Nível
posteriores
.
Uma das características distintivas do 3.º Fórum
de Alto Nível sobre a Eficácia da Ajuda que teve lugar em Acra (2008), Gana,
foi precisamente o grau de importância atribuído à Sociedade Civil.
Comparativamente aos Fóruns anteriores, Acra representou um momento de viragem,
enquanto processo mais inclusivo, abrangendo significativamente a participação
das OSC – que para ele se prepararam –, culminando num fórum próprio sobre a
Eficácia da Ajuda, onde foram decididas as questões chave a propor ao Fórum de
Alto Nível.