O
termo ONG engloba um vasto universo de organizações cuja natureza e fins
diferem bastante entre si, não havendo uma definição precisa e unanimemente
aceite. Podemos dizer que as ONG são organizações formalmente constituídas,
independentes, que actuam em diversas áreas (direitos humanos, ambiente, migrações,
desenvolvimento, acção humanitária, etc.) com vista a gerar melhorias na
sociedade, sejam de impacto mais limitado no tempo, sejam promotoras de
mudanças estruturais.
O
universo das ONG abrange áreas de trabalho e realidades muito díspares. Focar-nos-emos
aqui nas ONG que intervêm na Cooperação para o Desenvolvimento, na Ajuda
Humanitária e de Emergência, bem como nos domínios da Educação e Sensibilização
para o Desenvolvimento e na Advocacia, ou seja, aquelas que foi convencionado
designar como ONG de Desenvolvimento (ONGD). Na sua base legal define-se que
dos seus fins não constam os fins lucrativos (tal significando no entanto que
podem desenvolver actividades económicas lucrativas em domínios coerentes com a
sua missão e facilitadoras de condições económicas para o seu prosseguimento, mas
não podem distribuir os lucros entre os membros), nem político-partidários,
sindicais, militares ou religiosos. com vista a um mundo mais justo, mais
inclusivo e menos desigual.
Nos últimos 20
anos, as ONGD ganharam visibilidade e reconhecimento, muito devido à sua
proximidade com as populações, à sua flexibilidade e capacidade de acção
rápida, experimentação de abordagens inovadoras, mas devido também ao seu papel
de advocacia, de monitoria de políticas e de defesa dos direitos humanos. Ao
mesmo tempo, a sua progressiva profissionalização favoreceu a capacidade de se
afirmarem enquanto actores com múltiplas competências, de pleno direito e
parceiros-chaves, chamados, em muitos países, a participar na definição das
políticas de Cooperação e de Desenvolvimento.